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Economia

Economia do Brasil

Em princípio uma nação predominantemente agrícola, o Brasil experimentou um rápido crescimento industrial nas décadas de sessenta e setenta, até que na década de oitenta tornou-se uma economia moderna e diversificada. Grandes quantidades de minério de ferro e carbono foram extraídas, e a produção de aço, produtos químicos e veículos automotores cresceu susbstancialmente. Entretanto, ao mesmo tempo, a inflação crônica e uma dívida externa de mais de 100.000 milhões de dólares, a mais alta entre as nações em desenvolvimento, provocaram graves problemas econômicos. No início da década de oitenta, a balança comercial era composta de 15.700 milhões de dólares de receita e de 25.100 milhões de dólares de despesas. A dívida do país foi renegociada e reduzida em abril de 1994 através de um acordo com os bancos credores. O produto interno bruto (PIB) aumentou na década de 1980 de 369.000 milhões de dólares em 1981 para cerca de 415 milhões de dólares em 1994.

 

Agricultura e pecuária

 

Aproximadamente a quarta parte do café do mundo é cultivada nas plantações de São Paulo, Paraná, Espírito Santo e Minas Gerais. A produção de café anual em meados da década de noventa foi de 2,6 milhões de toneladas, das quais a maioria foi exportada. O Brasil está entre os principais produtores mundiais de cana-de-açúcar (utilizada para produzir açúcar refinado e álcool para combustível), rícino, cacau, milho e laranjas. Outros cultivos importantes são: a soja, o tabaco, a batata, o algodão, o arroz, o trigo, a mandioca e a banana.

O gado é criado em quase todas as partes do pais, especialmente em São Paulo e outros estados do sul, onde há uma grande quantidade de gado leiteiro, porcos, aves, ovelhas, cabras, cavalos, burros, mulas e bois.

 

Silvicultura e pesca

 

Entre os produtos mais valiosos das florestas brasileiras se contam o tungue, a borracha, a cera de carnaúba, a fibra de algarobo, plantas medicinais, óleos vegetais, resinas, castanhas e madeiras para construção e móveis. Constituem importantes recursos madeireiros o pinheiro-do-paraná, o mais importante comercialmente, e a aroeira-vermelha. A indústria madeireira se desenvolveu rapidamente durante as décadas de setenta e oitenta ao mesmo tempo que as florestas eram desmatadas para os assentamentos.

A indústria pesqueira, embora prejudicada em princípio pela escassez de capital, armazéns e indústrias de conservas, cresceu consideravelmente na década de setenta. Em meados da década de 1990 a pesca produziu 780.000 toneladas anuais, incluindo camarões, lagostas e sardinhas.

 

Mineração

 

Os recursos minerais do Brasil são grandes, mas a escassez de capital e uma infra-estrutura inadequada de transporte refrearam seu desenvolvimento até a década de setenta. O carbono é extraído no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e em outras regiões. A febre do ouro na selva amazônica, constante desde 1979, tornou o Brasil um dos maiores produtores mundiais desse minério. Os depósitos de ferro do país, localizados em Itabira e outras áreas, estão entre os mais ricos do mundo. A produção de minério de ferro foi de 205 milhões de toneladas no início da década de noventa. Ricos depósitos de estanho tornaram o Brasil um produtor líder desse metal. Também é um grande exportador de cristais de quartzo, monazita e berílio. Manganês, diamantes, cromo, zircônio, petróleo bruto, gás natural, prata, bauxita e mica são extraídos em grandes quantidades. Os depósitos conhecidos de magnesita, grafite, titânio, cobre, zinco, mercúrio e platina não são explorados em grande escala.

 

Indústria

 

As indústrias do Brasil produzem uma grande variedade de produtos. Vários bens são produzidos, como alimentos processados, ferro e aço, cimento, tecidos, confecção, veículos automotores, produtos químicos, papel, navios e equipamentos elétricos. São Paulo é o principal estado industrial, com fábricas que produzem aproximadamente um terço da quantidade total das indústrias do Brasil; as cidades do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Fortaleza também são grandes centros industriais.

 

Energia

 

No final da década de oitenta mais de 90% da produção anual de eletricidade do Brasil foi gerada graças à infra-estrutura hidrelétrica. As grandes usinas hidrelétricas estavam situadas nos rios Paraná e São Francisco, além do rio Grande. No rio Paraná, o complexo hidrelétrico de Itaipu, Jupiá, Ilha Solteira e Foz do Areia produzem um total de 18.915 MW de potência instalada. No São Francisco, o complexo Paulo Afonso-Sobradinho soma 3.510 MW, e no rio Grande, o complexo Embarcação, Furnas e Marimbondo gera um total de 3.747 MW aproximadamente. O Brasil tinha uma capacidade de produção elétrica aproximada de 50 milhões de KW no início da década de 1990 e uma produção anual total de 251.508 milhões de kWh.

 

Moeda e instituições bancárias

 

A unidade monetária do Brasil é o real, dividido em 100 centavos (0,84 centavos de real equivaliam a 1 dólar norte-americano em 1995); foi introduzido em julho de 1994 para substituir o cruzado. O Banco Central do Brasil (1965), com sede em Brasília, emite a moeda do país. Outras grandes instituições bancárias são o Banco do Brasil, um banco comercial com mais de 3.300 filiais; o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), com sede principal no Rio de Janeiro; e o Bradesco (Banco Brasileiro de Descontos), com mais de 1.700 filiais. Os brasileiros também contam com numerosos bancos privados e estatais.

 

Comércio exterior

 

No início da década de noventa, o Brasil gastou aproximadamente 25.711 milhões de dólares ao ano com importações de mercadorias, enquanto que suas exportações cresciam ao nível de 38.783 milhões de dólares anuais. Os principais compradores dos produtos brasileiros no começo dessa década eram os Estados Unidos (20,3% do valor total das exportações), Alemanha, Japão, Itália, Argentina, França, Países Baixos e Grã-Bretanha. As maiores exportações foram: soja, café, minério de ferro, aço, equipamentos de transporte, carnes, maquinaria, sapatos e tecidos.

Os Estados Unidos substituíram a Alemanha como a principal fonte de importações brasileiras no início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e continuaram mantendo essa posição depois da guerra. Iraque, Alemanha, Japão, Argentina, França e Canadá também foram grandes fornecedores no começo da década de noventa. As principais importações incluíam petróleo bruto e refinado, maquinaria, metais, produtos químicos e trigo.

 

Transporte

 

O sistema ferroviário do Brasil constava em 1993 de 30.379 km de linhas, implantado principalmente ao sul da Bahia. O principal órgão ferroviário é a Rede Ferroviária Federal, sob o controle do governo federal, que explora sete redes regionais. As ferrovias do país são utilizadas principalmente para o transporte de mercadorias. As estradas e rodovias, concentradas nas regiões sul e nordeste do Brasil, tinham uma extensão de 1.660.352 km em 1993; mais de 11% das estradas brasileiras estavam pavimentadas. Um sistema nacional de rodovias de 63.000 km liga todas as regiões e estados do país; essa rede viária continua se expandindo com obras como a rodovia transamazônica, uma via de comunicação que, com direção leste-oeste, une as regiões isoladas do Brasil e Peru. As vias fluviais do interior, que totalizam aproximadamente 35.400 km em torno do Amazonas e seus afluentes, ligam o Brasil com outros países da América do Sul e fornecem importantes meios de transporte dentro do país. No interior de muitas áreas da bacia do Amazonas, as vias fluviais são o principal meio de transporte. Por volta de 40 portos ao largo da costa brasileira servem ao comércio de cabotagem e internacional. Os principais portos são Santos, Rio de Janeiro, Paranaguá, Recife e Vitória. As linhas aéreas nacionais são numerosas e existem várias companhias de transporte aéreo internacional, incluindo a companhia aérea brasileira Varig, encarregadas de ligar o país com os principais pontos do mundo.

 

Comunicações

 

O governo representa um destacado papel no fornecimento de serviços de telecomunicações. Mais de treze milhões de telefones estavam em uso no começo da década de 1990. O Brasil também conta com 2.778 emissoras de rádio e mais de 6 canais oficiais de televisão. No início dessa mesma década havia aproximadamente 58,9 milhões de aparelhos de rádio, e 36 milhões de televisores estavam em uso. O país conta com 373 jornais diários, mas a maioria apresenta uma circulação relativamente pequena. Os maiores jornais são O Globo e o Jornal do Brasil no Rio de Janeiro; a Folha de São Paulo, a Gazeta Mercantil e o Estado de São Paulo em São Paulo; o Estado de Minas em Belo Horizonte; o Correio Brasiliense em Brasília. As revistas semanais de informação geral de maior circulação são Veja e Isto é.

 

Trabalho

 

A força de trabalho brasileira economicamente ativa é estimada por cerca de 55,4 milhões de pessoas; as mulheres compõem um terço da força de trabalho. Aproximadamente 23% dos trabalhadores estão ocupados na agricultura; 53% estão empregados no setor dos serviços e 21% trabalha na indústria e na construção civil. Ao redor de 3% se dedica a outras atividades. Muitos ente os trabalhadores são membros de sindicatos pertencentes a uma das várias confederações nacionais; as entidades sindicais mais importantes são a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria, a Confederação Nacional de Trabalhadores na Agricultura e a Confederação Nacional de Trabalhadores em Comunicação e Publicidade, todas elas localizadas em Brasília.

 

Religião

 

Quase 88% dos habitantes do Brasil são católicos. Contudo, aproximadamente vinte milhões de católicos também praticam algum tipo de culto ritual de origem africana. Existem ainda pelo menos cinco milhões de protestantes, entre os quais se incluem um número importante de luteranos, metodistas e episcopais, e uma pequena comunidade de judeus. A maioria dos indígenas americanos professam religiões tradicionais. A separação entre a Igreja e o Estado é formal e completa.

 
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