Vegetação, Flora, Fauna do Brasil
A grande extensão territorial
e latitudinal e a diversidade climática do Brasil explicam a extraordinária
riqueza vegetal que o país possui. Situado quase totalmente dentro da
Zona Neotropical, podemos dividi-lo para fins geográficos em dois territórios:
o amazônico e o extra-amazônico. No amazônico (área
equatorial ombrófila) o sistema ecológico vegetal decorre de um
clima de temperatura média em torno de 25°C com chuvas torrenciais bem
distribuídas durante o ano. No extra-amazônico (área inter-tropical),
o sistema ecológico vegetal responde a dois climas: o tropical com temperaturas
médias por volta de 22°C e precipitação estacional, com
período seco, e o subtropical com temperatura média anual próxima
dos 18°C, com chuvas bem distribuídas.
A grande quantidade de espécies
vegetais nativas e exóticas de importância econômica, conhecida
e descrita em trabalhos científicos, representa apenas uma amostra das
que provavelmente existem. Não podemos esquecer que grande parte da cobertura
vegetal primitiva já foi e continua sendo impiedosamente devastada, criando
sérios riscos de acidentes e desequilíbrios ecológicos.
A ação do homem como
devastador da vegetação original se iniciou com a colonização
do Brasil, sendo acentuada nas regiões Sul, Sudeste, Nordeste e parte
do Centro-Oeste. Estados como São Paulo, Paraná e Minas Gerais
já devastaram a maior parte da cobertura primitiva.
Na Região Norte a ação
depredadora data da década de 60, com crescimento nos anos 70/80, provocando
o quase desaparecimento de espécies raras e já sendo motivo de
preocupação em áreas como Rondônia,
oeste do Tocantins
e sul do Pará, enquanto o reflorestamento e a preservação
são incipientes.
A vegetação brasileira
pode ser classificada em três grupos principais: formações
florestais ou arbóreas, formações arbustivas e herbáceas
e formações complexas e litorâneas. Quanto aos tipos de
vegetação, encontramos no território brasileiro as seguintes:
1) vegetação do tipo
Savana (Cerrado/Campos) - Ocorre principalmente na região Centro-Oeste,
aparecendo também no norte amazônico, desde o vale do rio Tacatu
(Roraima) até os tabuleiros do Amapá; no litoral e interior do
Nordeste; no planalto sedimentar da bacia do Paraná; na região
sudeste; na Região Sul em áreas do Planalto Meridional.
2) Estepe (Caatinga e Campanha
Gaúcha) - No árido sertão nordestino a estepe (conhecida
como caatinga) corresponde a várias formações vegetais
que se constituem num tipo de vegetação estacional decidual, com
várias cactáceas. A outra área de estepe brasileira se
encontra no Sul do Brasil, nas fronteiras com o Uruguai e Argentina; é
a Campanha Gaúcha, que recobre as superfícies conservadas do planalto
da Campanha e da depressão dos rios Ibicuí e Negro.
3) A Savana estépica (vegetação
chaquenha, campos de Roraima e Campanha Gaúcha) - É um tipo de
vegetação constituída por uma cobertura arbórea
e várias cactáceas, que recobre um estrato graminoso. No Brasil
ocupa três áreas bem diversas geograficamente, o Pantanal Mato-Grossense,
os Campos de Roraima e a Campanha Gaúcha. A primeira situa-se entre a
Serra da Bodoquena (Mato Grosso do Sul) e o rio Paraguai, sendo a maior área
de ocorrência no Brasil desse tipo de vegetação. A segunda,
a de Roraima (limites com a Venezuela), aparece entre as áreas dissecadas
do monte Roraima
e a planície do rio Branco. E a terceira ocupa a parte sul-sudeste do
Rio Grande do Sul, fazendo parte da Campanha Gaúcha.
4) Vegetação lenhosa
oligotrófica dos pântanos e das acumulações arenosas
(Campinarana) - Esse tipo de vegetação se restringe às
áreas amazônicas do alto rio
Negro e seus afluentes adjacentes,
recobrindo as áreas deprimidas e embrejadas, caracterizada por agrupamentos
de formações arbóreas altas e finas.
5) Floresta ombrófila densa
(Floresta Amazônica/Floresta Atlântica) - Ocupa parte da Amazônia,
estendendo-se pelo litoral desde o sul de Natal, Rio Grande do Norte até
o Espírito Santo, entre o litoral e as serras pré-cambrianas que
margeiam o Atlântico, estendendo-se ainda pelas encostas até a
região de Osório, no Rio Grande do Sul. A floresta Atlântica
já foi quase totalmente devastada, restando apenas poucos locais onde
se encontra a floresta original. Esse tipo de vegetação nas duas
áreas (Amazônica e Atlântica) consiste de árvores
que variam de médio a grande porte e com gêneros típicos
que as caracterizam.
6) Floresta ombrófila aberta
(Floresta de Transição) - Encontra-se entre a Amazônia e
a área extra-amazônica. É constituída de árvores
mais espaçadas, com estrato arbustivo pouco denso. Trata-se de uma vegetação
de transição entre a floresta Amazônica úmida a oeste,
a caatinga seca a leste e o cerrado semi-úmido ao sul. Essa região
fitoecológica domina, principalmente, os estados do Maranhão e
Piauí, aparecendo também no Ceará e Rio Grande do Norte.
7) Floresta ombrófila mista
(Mata dos Pinheiros) - Esse tipo de vegetação, também conhecida
por "mata dos pinhais ou de araucárias", é encontrada concentrada
no Planalto Meridional, nas áreas mais elevadas e mais frias, com pequenas
ocorrências isoladas nas serras do Mar e Mantiqueira (partes altas). Destacam-se
os gêneros Araucária, Podocarpus e outros de menos importância.
8) Floresta estacional semidecidual
(Mata semicaducifólia) - Esse tipo de vegetação está
ligado às estações climáticas, uma tropical, com
chuvas de verão e estiagem acentuada, e outra subtropical, sem período
seco mas com seca fisiológica por causa do frio do inverno. Ocorrem nas
áreas brasileiras com esses tipos climáticos.
9) Floresta estacional decidual
(Mata caducifólia) - Ocorre no território brasileiro dispersivamente
e sem continuidade, pois só aparece em áreas caracterizadas por
duas estações climáticas bem definidas, chuvosa e seca.
O estrato arbóreo é predominantemente caducifólio (perdem
as folhas na seca).
10) Áreas das formações
pioneiras de influência marinha (Vegetação de Restinga e
Manguezal)
- As áreas de influência marinha são representadas pelas
restingas ou cordões litorâneos e pelas dunas que ocorrem ao longo
da costa. São formados pela deposição de areias, aí
ocorrendo desde formações herbáceas até arbóreas.
Os manguezais sofrem influência fluviomarinha onde nasce uma vegetação
de ambiente salobro que também apresenta fisionomia arbórea e
arbustiva; são encontrados em quase todo o litoral brasileiro, mas as
maiores concentrações aparecem no litoral norte e praticamente
desaparecem, a partir do sul da ilha de Santa Catarina, pois é vegetação
típica de litorais tropicais.
11) Áreas das formações
pioneiras ou de influência fluvial (Vegetação Aluvial) -
É um tipo de vegetação que ocorre nas áreas de acumulação
dos cursos dos rios, lagoas ou assemelhados; a fisionomia vegetal pode ser arbórea,
arbustiva ou herbácea, formando ao longo dos cursos dos rios as Matas-Galerias.
A vegetação que se instala varia de acordo com a intensidade e
duração da inundação.
12) Áreas de Tensão
ecológica (Contatos entre tipos de vegetação) - São
denominadas assim as regiões de contato entre grandes tipos de vegetação,
em que cada tipo guarda sua identidade. Ocorre em vários locais do país,
inclusive no Pantanal nas áreas alagadas, periodicamente alagadas e nas
livres das inundações. Existem aí várias associações
vegetais como palmeiras, gramíneas e bosques chaquenhos.
13) Refúgio ecológico
(Campos de altitude) - Qualquer tipo de vegetação diferente do
contexto geral da flora da região é considerada como um "refúgio
ecológico". Este é o caso da vegetação que se localiza,
no Brasil, acima de 1800m de altitude.
Flora brasileira,
o Brasil possui a maior biodiversidade vegetal do planeta, com mais de 55 mil
espécies de plantas
superiores e cerca de 10 mil de briófitas,
fungos e algas, um total equivalente a quase 25% de todas as espécies
de plantas existentes. A cada ano, cientistas adicionam dezenas de espécies
novas a essa lista, incluindo árvores de mais de 20 metros de altura.
Acredita-se que o número atual de plantas conhecidas represente apenas
60% a 80% das plantas realmente existentes no país. Essa diversidade
é tão grande que em cerca de um hectare da floresta
amazônica ou da Mata
Atlântica encontram-se
mais espécies de árvores (entre 200 e 300 espécies) que
em todo o continente europeu.
A flora brasileira está espalhada
por diversos hábitats, desde florestas de terra firme com cerca de 30
metros de altura de copa e com uma biomassa
de até 400 toneladas por hectare, até campos rupestres e de altitude,
com sua vegetação de pequenas plantas e musgos que freqüentemente
congelam no inverno; e matas de araucária, o pinheiro
brasileiro no sul do país. Alguns desses hábitats são caracterizados
por uma flora endêmica característica. Os campos rupestres e de
altitude que dominam as montanhas do Brasil central, por exemplo, apresentam
uma grande variedade de espécies de velosiáceas, eriocauláceas,
bromeliáceas
e xiridáceas que só ocorrem nesse hábitat. A maior parte
da flora brasileira, entretanto, encontra-se na Mata Atlântica e na floresta
amazônica, embora o Pantanal
mato-grossense, o cerrado
e as restingas também apresentem grande diversidade vegetal.
Algumas famílias de plantas
destacam-se por sua grande diversidade na flora brasileira. A família
das bromeliáceas, que inclui as bromélias, gravatás e barbas-de-velho,
tem mais de 1.200 espécies diferentes. São as plantas epífitas
mais abundantes em todas as formações vegetais do país,
desde as restingas e manguezais até as florestas de araucária
e campos de altitude. Outras famílias importantes são a das orquidáceas;
a das mirtáceas, que dominam a flora das restingas e da Mata Atlântica;
a das lecitidáceas, que incluem dezenas de espécies arbóreas
da Amazônia; e a das palmáceas,
também representadas por numerosas espécies, boa parte de grande
importância econômica, como os palmitos, cocos e açaís.
Espécies exóticas
Além das espécies nativas,
a flora brasileira recebeu aportes significativos de outras regiões tropicais,
trazidos pelos portugueses durante o período colonial. Várias
dessas espécies de plantas restringiram-se às áreas agrícolas,
como o arroz, a cana-de-açúcar, a banana e as frutas cítricas.
Outras, entretanto, adaptaram-se muito bem e espalharam-se pelas florestas nativas
a tal ponto que freqüentemente são confundidas com espécies
nativas. O coqueiro
(Cocus nucifera) que forma verdadeiras florestas ao longo do litoral
nordestino brasileiro, é originário da Ásia. Da mesma forma,
a fruta-pão (Artocarpus communis) e a jaqueira (Artocarpus
integrifolia), originários da região indo-malaia, são
integrantes comuns da Mata Atlântica. Além dessas, podemos citar
a mangueira, a mamona, o cafeeiro e várias espécies de eucaliptos
e pinheiros, introduzidas para a produção de madeira, bem como
dezenas de espécies de gramíneas. É comum encontrar em
matas degradadas ou brotadas em pastos ou terras agrícolas abandonadas
uma grande proporção de espécies exóticas
Plantas medicinais
A diversificada flora brasileira
é amplamente utilizada pela população, embora pouco se
conheça cientificamente sobre seus usos. Por exemplo, um estudo recente
realizado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi na ilha
de Marajó, no Pará,
identificou quase 200 espécies de plantas de uso terapêutico pela
população local. A população indígena também
utilizou e ainda utiliza a flora brasileira, porém tal conhecimento tem
se perdido com sua aculturação. É provável que muitas
espécies de plantas brasileiras tenham uso terapêutico ainda desconhecido.
Esse conhecimento, entretanto, está ameaçado pelo desmatamento
e pela expansão das terras agropecuárias.
Fauna
Extremamente variada, a fauna do
Brasil difere em muitos aspectos daquela da América do Norte. Os maiores
animais existentes são a onça parda, o jaguar, a jaguatirica
e o guaxinim. Existem grandes quantidades de pecari, anta,
tamanduá, preguiça, gambá e tatu. Os cervos são
numerosos no sul e há macacos de várias espécies na floresta.
Muitos tipos de pássaros são nativos do país. Entre os
répteis se incluem diversas espécies de jacarés e cobras,
em especial a surucucu,
a jararaca e a jibóia.
Há um grande número de peixes e tartarugas nas águas dos
rios, lagos e costas do Brasil.
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