Colônia Agrícola Nacional de Dourados
A vila de Dourados se desenvolvia quando, pelo decreto estadual de nº 30 de 20 de dezembro de 1935, foi oficialmente criado o município de Dourados, desmembrado de Ponta Porã. Tinha uma população estimada em 20 mil habitantes e sua área compreendia 21.250 quilômetros quadrados (limitava-se com o município de Ponta Porã, Maracaju, Entre Rios (atualmente Rio Brilhante) e com estado do Paraná). Seu primeiro prefeito nomeado foi João Vicente Ferreira. Após a emancipação, foi administrada por uma junta formada por Nelson de Araújo, Onofre Pereira de Matos e Ciro Melo, estes exerciam a função do legislativo. Em 13 de setembro de 1943 foi criado o Território Federal de Ponta Porã pelo presidente Getúlio Vargas, que abrangia os municípios de Dourados, Porto Murtinho, Miranda, Nioaque, Bela Vista, Ponta Porã, Maracaju e Bonito (sendo Ponta Porã sua capital). Território de Ponta Porã foi um território federal brasileiro criado em 13 de setembro de 1943 pelo governo de Getúlio Vargas e extinto em 18 de setembro de 1946 pela Constituição de 1946. Seu governador durante os três anos de existência foi o militar Ramiro Noronha.Com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial o governo decide desmembrar seis territórios estratégicos de fronteira do país para administrá-los diretamente: Amapá, Rio Branco, Guaporé, Ponta Porã, Iguaçu e o arquipélago de Fernando de Noronha. Este durou apenas três anos (1943 a 1946). Em 7 de janeiro de 1947 é reintroduzido ao estado de Mato Grosso. Novos impulsos progressistas vieram com a criação das Colônias Agrícolas Nacional e Municipal de Dourados, além de colônias particulares. A Colônia Nacional foi criada em 28 de outubro de 1943, no recém criado Território Federal de Ponta Porã. Após a extinção do Território em 1946, a área reservada para a colônia foi respeitada pelo Estado, permanecendo como estava antes. Da Colônia Nacional faziam parte duas cidades projetadas:
Vila Brasil (atualmente Fátima do Sul); Vila Glória (atualmente Glória de Dourados). Na Colônia foram fundadas as cidades de Deodápolis, Douradina e Jateí. A área da Colônia Agrícola de Dourados era de 409.000 hectares (com um excedente de 109.000 ha referente à área reservada pelo decreto que a criou) e possuía aproximadamente 10 mil famílias. A distribuição e titulação dos lotes foi feita de uma forma que evitasse que os mesmos fossem vendidos antes doze meses. A Colônia Agrícola Nacional de Dourados atraiu para a região muitas levas de imigrantes (japoneses principalmente) e brasileiros, que cultivavam café. Com a criação da Colônia Nacional vieram companhias de colonização privadas que acabaram adquirindo extensas áreas (florestas, governo ou particulares) e as loteavam e se inspiraram nos modelos de colonização paulista e paranaense. A Colônia Municipal de Dourados se originou de uma área de 50 mil hectares criada em 1923 no município de Ponta Porã. Em 1935, com a criação do município de Dourados integrou o mesmo. O regulamento da Colônia Nacional só foi estabalecido em 1946. Na área que originou a Colônia Municipal se originou a cidade de Itaporã. Tanto a Colônia Federal quanto a Municipal estavam praticamente isoladas, pois quase não existiam estradas que ligassem ambas á ferrovia, que dificultava o escoamento da produção da região.
Em 1954 a Colônia Agrícola Nacional de Dourados passa a se chamar Núcleo Colonial de Dourados com a criação do Instituto Nacional de Imigração e Colonização e o Núcleo Colonial de Dourados passa a ser administrado pelo INCRA, criado em 1970. Em 1973, o INCRA finaliza a criação para o estado do Projeto Fundiário do Sul de Mato Grosso. É implantado em 1976 na cidade o Projeto Fundiário de Dourados (que passa a administrar também o Núcleo Colonial). A iniciativa de colonização do INCRA originou as prósperas cidades de Fátima do Sul, Glória de Dourados e Jateí. Contribuiu também para o desenvolvimento de Dourados e transformando o estado em um dos maiores centros agropecuários do estado e do país. O INCRA abriu 1.200 km de estradas (três delas transformadas em estradas estaduais), além de trazer a rede tronco de energia elétrica de Campo Grande para Dourados. A Colônia Nacional de Dourados (dentre as colônias criadas pelo Governo Getúlio Vargas), foi a que mais se desenvolveu e teve destaque. Atraiu muitos brasileiros (nordestinos em especial), que não tiveram êxito em outras colônias. Graças ás colônias agrícolas, Dourados teve seu desenvolvimento impulsionado, e transformou a cidade em um centro agrícola nacional. Os anos 60 sofreu um crescente aumento populacional, graças á migração e imigração que ocorreu na região (a maioria era proveniente do Rio Grande do Sul), mas já contava com uma população de migrantes (nordestinos - que se radicaram na Colônia Nacional de Dourados á agricultura de pequeno porte e os paulistas, catarinenses e paranaenses, que se dedicaram á atividades comerciais relacionadas á agricultura) e imigrantes (japoneses). Os migrantes gaúchos, que chegaram em razão dos preços das terras, introduziram na região uma cultura agrícola que consiste no tratamento do solo de alto nível e elevam a área plantada de 3.500 para 134 mil hectares nos anos 70 e 80. Os granjeiros gaúchos ocuparam áreas por toda a região de Dourados. No antigo Núcleo Colonial de Dourados a luta pela posse dos lotes se intensifica, com formação de novas áreas de plantio ou de fazendas de criação. Também contribuíram bastante para a criação de empresas comerciais ligadas a atividades agrícola: comércio de cereais, implementos e máquinas agrícolas, assistência técnica, entre outros. Ainda hoje, a presença do migrante gaúcho é numerosa em todo o setor terciário do município de Dourados. O intenso crescimento populacional não se restringiu apenas à área rural da região, atingindo também o setor urbano de Dourados, o que desencadeou o início desenfreado de novas construções. Nos anos 90, além da agropecuária, o desenvolvimento comercial e de serviços na zona urbana foi decisivo para que dourados se consolidasse como pólo regional, de serviços e agropecuário.